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#Post#: 22--------------------------------------------------
A barreira invisível entre os videojogos e a comunicação social
Portuguesa
By: admin Date: January 10, 2014, 1:01 am
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Texto por: Carlos Vaz (Vazinho)
Revisão por: Ivan Barroso (Os osvelhostempos)
A seriedade, imparcialidade e procura da verdade jornalística
nos meios de comunicação em Portugal, no que toca à temática dos
videojogos e possíveis vantagens/desvantagens está a chegar a
pontos de roçar o ridículo.
Com o crescimento da indústria, é impossível não reconhecer o
seu impacto na sociedade. Situação à qual Portugal não está
naturalmente imune. No entanto, o jornalismo português tornou-se
de tal maneira tendencioso que a indústria e os seus produtos
são sempre abordados de forma negativa.
Entre estes vários e triste episódios, venho relatar 3 dos quais
se tornaram de uma maneira ou outra, mais mediáticos.
Em Setembro de 2011 a revista “Focus” decidiu fazer uma
reportagem sobre “colecionismo” de videojogos e como é
representado esse panorama em Portugal. Apesar da intenção ser
muito boa e a ideia, no geral, ser bastante interessante, a
publicação conseguiu a cada paragrafo transmitir algo de
negativo e obscuro sobre os colecionadores.
Inexplicavelmente o artigo foi parar à secção “Comportamento”,
com o título saliente “ O Mundo dos malucos”. Se o objectivo era
supostamente mostrar o melhor do mundo do colecionismo e não
denegrir a imagem de quem tem este hobby, começaram da pior
forma.
Ao longo do artigo o massacre jornalístico continuou. Todos os
pequenos detalhes que poderiam ser apontados como negativos
foram calcados pela “Focus” de maneira sistemática. Facilmente é
visto que a ideia do texto não foi tratar o colecionismo de
videojogos como algo sério. Pior ainda foi o jogo duplo feito
pelos jornalistas, que em grande parte das vezes distorceram as
respostas dos seus entrevistados, salientando assim todos os
aspectos mais dúbios.
Resumindo o episódio, a revista “Focus”, não teve o mínimo
respeito pelos entrevistados, que acabaram por ser rotulados,
PELA PRÓPRIA REVISTA, como MALUCOS, ESBANJADORES DE DINHEIRO QUE
BRINCAM COMO CRIANÇAS COM ALGO QUE DEVERIA SER PROIBIDO PARA A
SUA IDADE.
Infelizmente não é aqui que pára esta onda de péssimo
jornalismo.
Em Setembro de 2013, Ivan Barroso (escritor, historiador dos
videojogos e conhecedor da industria) foi convidado ao programa
da TVI - “Você na TV” para debater, com o Dr. Quintino Aires
(Psicologo), “os jovens e os videojogos”. Relembro que num
programa anterior o Dr. Quintino Aires tinha apelidado dos
videojogos como “droga” e um dos principais flagelos da
sociedade portuguesa.
Após uma breve troca de opiniões e alguns argumentos bem
fundamentados por Ivan, que se serviu de livros da especialidade
para apoiar as suas afirmações, o Dr. Quintino Aires mudou de
táctica. Primeiro lembrou o seu público da quantidade de prémios
que ganhou em outras áreas, fazendo dele um especialista sem
equivalente em Portugal, e mais tarde interrompendo
sistematicamente o Ivan, levando posteriormente o debate para a
área da psicologia, numa tentativa vã de assumir total controlo
da conversa. Chegando ao ponto de rejeitar todos os estudos e
opiniões do Ivan por não o considerar como “seu par”.
Foi tanta a insistência do Dr. Quintino em não debater o assunto
com Ivan que o segmento acabou mesmo por ser terminado
precocemente.
Mas será que realmente o Dr. Quintino não teve receio quando
confrontado com dados viáveis? Porque será que numa tentativa
mesquinha desistiu de falar sobre o tema que de uma maneira tão
deliberada e sem papas na língua atacou? Até que ponto a
afirmação de que Ivan não era seu “par” no campo de conhecimento
da psicologia não serviu apenas como escudo perante uma guerra
perdida de antemão? O video ainda pode ser visto no “youtube”,
para que cada pessoa tire as suas próprias conclusões.
O mais recente caso manifestou-se na ultima edição da revista
“Sábado” que vem falar novamente dos videojogos como uma “droga”
e expor casos de crianças que abusaram da tal droga e que em
alguns casos, acabaram em clínicas.
Jogar em excesso faz mal? Claro que faz, mas podemos usar uma
analogia para qualquer outra coisa que esteja no nosso entorno.
Tudo em excesso faz mal! No caso das crianças, toca aos pais
gerir o tempo de jogo. Na revista “Sábado” fizeram referência a
uma criança que jogou 21 horas sem parar. A minha pergunta é:
“Onde estiveram os pais durante essas 21 horas?” Será que o
artigo não deveria ser antes chamado “Casos - Limite de
negligências familiares”?
Felizmente nem tudo está perdido, e ainda existe quem escreva
bom jornalismo sobre videojogos com algum background e
conhecimento de causa. Desde segmentos bem fundamentados no
canal “SIC” até aos vários artigos escritos no jornal Público.
Os videojogos tem crescido como mais um tipo de arte, pelo menos
internacionalmente. Em Portugal continuam a ser vistos como uma
coisa para “crianças” ou em ultima instância “malucos”. O
problema é que a sociedade irá continuar a ver a industria dos
videojogos assim enquanto continuarem a serem feitos péssimos
trabalhos por parte da comunicação.
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